segunda-feira, 24 de maio de 2010

A Confissão da Bruxa - Revista Veja


A revista Veja foi longe demais dessa vez. Sua capa sensacionalista mostra a procuradora Vera Lucia de Santana Gomes, presa por ter torturado uma criança de dois anos, que estava em sua guarda. Mediante tamanho abuso, sinto-me feliz por vê-la presa no país da impunidade. Espero que a justiça de fato seja feita. O pouco que vi sobre ela na televisão, me fez concluir que, se trata de uma mulher fria, dissimulada e com sérios transtornos psíquicos, embora eu não seja especialista no assunto. Descobri essa atrocidade da revista no sábado, quando passeava pela Paulista e dei de cara com a capa numa banca qualquer. Só posso dizer que me senti ofendida.

Bruxa - já faz algum tempo que o movimento Neo-Pagão tem trabalhado para desmistificar a imagem da mulher má, com verruga no nariz, corcunda, vestindo trapos e tramando maldades. Esse estereótipo de Disney e cia está mais do que ultrapassado. As crianças não sentem mais medo quando ouvem falar de bruxas, magos e feiticeiras. A mídia impressa já publicou inúmeras matérias sobre a Arte das Bruxas com intensa maestria. Recentemente, as revistas Planeta e Leituras da História, nos presentearam com capas que, tem destaque para a Bruxaria e Magia. São referências sérias sobre religiosidade, mitologia, estilo de vida dos adeptos de uma religião moderna, com base em antigas práticas pagãs. O Halloween, tradicional festa que reúne bruxas e bruxos em todo o mundo, já tem presença marcada no calendário de festividades brasileiras, ou seja, poucos ainda usam o adjetivo BRUXA como um termo pejorativo para ofender, acusar e denegrir a imagem de uma mulher.

Infelizmente a Revista Veja, assim o fez. Considerada a mais lida do país, com caráter de formar opinião, cometeu a indelicadeza de publicar essa capa, ofensiva e de uma ignorância tamanha. Será que nenhum profissional sério da Revista, não é capaz de ter um pouco de discernimento e informação acerca do que é ser Bruxa?

A senhora da capa, é uma criminosa, acusada por torturar criança e está sendo punida por isso. Ela não é bruxa! E não pode ser confudida com Bruxa.


quarta-feira, 28 de abril de 2010

Luta, substantivo feminino

Lançamento do livro “Luta, substantivo feminino” emociona e lota auditório na PUC-SP

Com a presença dos ministros Paulo Vannuchi e Nilcéia Freire, as Secretarias de Direitos Humanos e de Políticas para Mulheres da Presidência da República, em parceria com a Caros Amigos Editora, lançaram, nesta quinta-feira (25), na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), o livro “Luta, substantivo feminino: histórias de mulheres torturadas, desaparecidas e mortas na resistência à ditadura”.

Cerca de 400 pessoas lotaram o auditório da universidade – muitos ficaram em pé, sentados no chão ou do lado de fora. Os 300 exemplares disponíveis para a distribuição se esgotaram rapidamente. As mulheres que contribuíram com seus depoimentos para a composição do livro participaram do lançamento. Elas receberam homenagem especial do ministro Vannuchi, além de terem sido muito aplaudidas pelo público.

“As mulheres sempre tiveram papel muito importante nas lutas travadas no Brasil. O livro mostra isso, elas resistiram à ditadura, na época da invasão da PUC a reitora era uma mulher e resistiu bravamente”, afirmou Vannuchi. Agora ele tem a expectativa de que as mulheres também apóiem a Comissão da Verdade e entrem nessa luta pela disputa da memória. A ministra Nilcéia Freire também enfatizou a importância das mulheres ao longo da história do país.

A professora de Direito da PUC-SP, Flávia Piovesan, destacou em sua intervenção que o Brasil já avançou na reparação dos crimes da ditadura, mas não na preservação da memória e na divulgação da verdade. “O Brasil ainda tem essa dívida com as pessoas que sofreram na ditadura e o livro é uma forma de enfrentar isso”, disse.

Além dos ministros e de Flávia Piovesan, participaram da mesa de debates que se seguiu ao lançamento: o diretor da Faculdade de Direito, Marcelo Figueiredo; a vice-presidente do Comitê da Organização das Nações Unidas para Eliminação da Discriminação contra a Mulher, Silvia Pimentel; e a representante dos familiares de mortos e desaparecidos, Rosalina Santa Cruz.

Também estiveram presentes ao lançamento o presidente da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, Marco Antônio Barbosa, e a socióloga Maria Victória Benevides.

Luta, substantivo feminino - O livro reúne os perfis de 45 mulheres assassinadas e desaparecidas por agentes da ditadura militar no Brasil (1964-1985), cujos casos foram julgados pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos em quinze anos de atividade. A obra ainda traz informações sobre as circunstâncias em que essas mortes e desaparecimentos ocorreram.

Em praticamente todos os casos relatados as vítimas morreram em decorrência das torturas, foram executadas ou passaram a ter seu destino desconhecido por seus familiares e amigos. Para não deixar que tais horrores caiam no esquecimento e contribuir para a elucidação desse terrível episódio de nossa história, o livro “Luta, substantivo feminino” apresenta também depoimentos corajosos de 27 mulheres que sobreviveram às torturas.

O objetivo da publicação é trazer à luz fatos essenciais para se restabelecer a verdade histórica. Na apresentação do livro, o ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, destaca que “a leitura desta publicação jogará novas luzes sobre uma história que o Brasil não deve apagar da memória. (...) como passo necessário para uma reconciliação nacional pautada no respeito a todos os direitos humanos”.

A ministra Nilcéia Freire, da Secretaria das Mulheres, destaca a relevância desta publicação para o resgate do papel da mulher em momentos importantes da história brasileira, como na luta pelo restabelecimento da democracia no país. “Se nos impuséssemos o exercício de mapear os dez nomes que mais aparecem nos livros de história, dificilmente aparecerá um de mulher entre eles. O relato oficial sobre a nossa trajetória como nação é estritamente masculino; nos retratos Justificaroficiais, nossos heróis têm, quase sempre, barba e bigode”.

Direito à Verdade e à Memória - O livro “Luta, substantivo feminino” é a terceira publicação originada a partir do livro-relatório Direito à Memória e à Verdade, lançado pela SEDH em agosto de 2007, com a presença do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O livro-relatório apresentou todos os casos julgados pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, desde que foi criada pela Lei 9.140, de 1995, para reconhecer a responsabilidade do Estado brasileiro na morte ou desaparecimento de pessoas durante o regime militar.

Como desdobramento do livro-relatório, a SEDH lançou, em junho de 2009, uma publicação com a história de quarenta afrodescendentes que morreram na luta contra a ditadura. O projeto foi realizado em parceria com a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial.

Em dezembro de 2009, foi a vez do livro Histórias de meninas e meninos marcados pela ditadura, que focaliza violações de direitos humanos cometidas pelo aparelho da repressão política contra crianças, bem como casos de adolescentes torturados e mortos nos mesmos porões.

fonte: SEDH

domingo, 28 de março de 2010

MTV Debate - Daime

Outras opiniões sobre o uso ritualístico do AYAHUASCA
Lázaro Freire
psicanalista transpessoal e colunista em diversos sites sobre assuntos espiritualistas.
Defendo o respeito à RELIGIÃO, seja ela qual for. Mas isso não é o mesmo que ignorar os efeitos de uma substância (daime, hoasca, ayahusaka, chá de DMT) usada nos ritos de Santo Daime (uma religião). Minha crítica se dá no campo físico, químico e psicológico - e não na esfera da crença religiosa atribuida aos efeitos posteriores. Os fins não podem ignorar os meios.
Sou, portanto, a favor da preservação dos ritos amazônicos originais em contexto ídem, mas sou contrário à popularização urbana indiscriminada fora de contexto - que se faz, por exemplo, nas periferias das grandes cidades, seu "público alvo".
Daime abre as portas do inconsciente. Pode ser bom ou ruim. Nem todos estão preparados para lidar com isso. Não é por acaso que nossos mecanismos psíquicos tem o nome de "defesas". Jung lembra que a neurose é uma cura, e não raro levamos 10 anos a desenvolvendo, justamente para evitar a psicose. Tomar daime para alguns traz o risco de retirar as colunas psíquicas... e fazer o teto cair sobre suas cabeças. È preciso estar preparado, como todo xamã (autêntico) sabia.
O termo "enteógeno" é um eufemismo não oficial que só é usado pelos defensores, e significa na prática uma finalidade para o alucinógeno, não uma classificação química. Foi cunhado pelos adeptos de Timothy Leary, Stanilav Grof e Robert Anthony Wilson, eles mesmos defensores e usuários assumidos do LSD nos anos 60-70, para os mesmos fins do daime.
Não falo sem conhecer. Como psicanalista, espiritualista e pesquisador, já experimentei ayahuasca mais de uma vez, e em locais diferentes. Também pesquisei algumas outras drogas, e acompanho pacientes e relatos de várias substâncias. Conheço tanto a estrutura do contato "divino" alegado, quanto o efeito das drogas, quanto o que caracteriza uam esquizofrenia ou psicose. Não há resposta simples, mas me parece que o daime é droga E religião, sendo necessário discernir os limites e campos de cada uma.

Antropóloga Bia Labate: uso religioso do ayahuasca


Folha online
FABIO ANDRIGHETTO
colaboração para a Livraria da Folha

www.bialabate.net

Livraria - Qual a importância da música nos rituais das religiões ayahuasqueiras?

Beatriz Labate - É uma manifestação cultural muito rica. A música de ayahuasca revela uma multiplicidade de conexões com a religiosidade brasileira e expressões musicais do nordeste e da Amazônia, e tem sido um dos principais elementos destacados no recente processo de pedido de reconhecimento da ayahuasca como patrimônio cultural imaterial da nação brasileira. A música ocupa um papel preponderante no cotidiano dessas religiões, na produção dos significados religiosos e na construção do corpo e da subjetividade dos adeptos. No Santo Daime, particularmente, temos rituais de concentração, ou bailados. Nos dois tipos, se cantam hinários. O hinário é um conjunto de hinos, cantos religiosos que são "recebidos", que dizer, são considerados uma revelação espiritual. O hinário contém a cosmologia e os ensinamentos da doutrina do Daime. Os principais líderes têm o seu próprio hinário, que narra sua trajetória pessoal e espiritual e se refere a momentos específicos da vida da comunidade. O Glauco era músico [sanfoneiro] e tinha o seu próprio hinário, o "Chaverinho" e o "Chaveirão", compostos por 42 e 11 hinos [cantos] respectivamente.

Livraria - Como você analisa a morte do Glauco?

Beatriz Labate - Fiquei profundamente chocada e triste. Parece que houve uma combinação infeliz entre uma dupla projeção: a de um artista famoso, e de uma liderança religiosa importante. Mas o pior é ver como determinados setores da mídia se aproveitam da tragédia para trazer à tona uma velha agenda persecutória a estes grupos, que já são uma minoria bem marginalizada.

Quando uma pessoa se explode em nome de sua religião, matando outras, ou quando um fiel atira no Papa, questiona-se o radicalismo, mas não a legitimidade da religião em si. Por outro lado, imagine quantas pessoas morrem por noite em SP em acidentes de trânsito envolvendo o uso de álcool? Quanto rende uma reportagem sobre alguém que "bebeu cerveja e matou"? Ou sobre os abusos relacionados ao consumo dos fármacos legais? É claro que precisamos fazer uma análise crítica do episódio, mas infelizmente a discussão envolvendo o uso de "drogas" dificilmente é racional, pois envolve fortes tabus. Por outro lado, uma religião minoritária, não hegemônica, é outra fonte forte de preconceitos.

Foto: www.entheogene.over-blog.com

sábado, 27 de março de 2010

Museu é o Mundo. Hélio Oiticica no Itaú Cultural

Como não vibrar com a obra de Hélio Oiticica ao vivo e em cores? Por anos vislumbrei bólides, parangolés, penetráveis e toda parafernália do maior artista plástico brasileiro (prá mim) através de livros, fotos e internet. O maior presente foi estar lá, no Itáu Cultural e poder tocar, interargir, intervir no contexto do herói e do marginal, inspirador da Tropicália.

Na concepção do artista tudo é exatamente o que parece ser. A intenção é extrapolar os limites intelectuais e reconhecer o que é significativo aos olhos do expectador, que deixa de cumprir o papel de simples observador e passar a viver o de cúmplice, experimentando, interagindo e compartilhando da sua arte. E que arte! A arte que grita que "O Museu é o Mundo", que " A Pureza é um Mito" e que o importante é Penetrar e ser Penetrado por essa arte. Tudo é desvendado através das sensações numa "experiência ambiental sensorial limite", como ele mesmo classificava. São sensações físicas ao toque, às emoções que afloram e nos brindam.

Curioso foi pensar nos sons da Mangueira, do morro carioca ou nos primeiros acordes da trupe de Caetano, Gil e cia, de dentro da Cosmococa, refestelada entre colchonetes, imaginar: o que vem depois? Vem os pesados parangolés, recheados de possibilidades ao vestí-los, numa vitoriosa tentativa de aproximar o lúdico do real. As descobertas não cessam. São vídeos, fotos, manuscritos, e um conjunto de elementos para ver e rever.

Os sons revelam um agitação natural entre os visitantes que assim como eu, leigos, porém apaixonados pela arte de H.O., transitam inquietos e causam uma movimentação diferente de outras exposições de arte mais tradicionalistas. Apenas em alguns bólides e seus vidros originais não podemos tocar, no mais, tudo está disponível, à todos.

A exposição ocupa três andares do Itaú Cultural e conta com a valiosa ajuda de monitores.

Prá saber tudo: www.itaucultural.org.br
www.pitoresco.com.br/oiticica/oiticica.htm



Fotos: Divulgação

sexta-feira, 26 de março de 2010







LuluzinhaCamp março 2010
Cozinha da Matilde - S.P.

O que nós queremos?

O grupo é 100% formado por mulheres e voltado para as mulheres, tem encontros trimestrais em várias capitais do Brasil. Em S.P. é liderado por Lú Freitas, idealizadora do evento e acontece na Cozinha da Matilde. Pensar nas questões femininas aos olhos femininos...


Quer saber mais?

http://www.luluzinhacamp.com/
http://cozinhadamatilde.com.br/



Fotos: Gabi Butcher