terça-feira, 12 de outubro de 2010

Contra a criminalização das mulheres que praticam aborto



Já está mais que na hora de assumirmos nossas posições e levarmos adiante a discussão. Não dá mais prá fingir que o assunto é discutido, quando na realidade ele, ainda é tabu na nossa sociedade hipócrita e machista. Precisamos ter coragem prá levar adiante nossas reinvidicações, afinal aborto não é uma questão religiosa e sim uma questão de saúde pública da mulher e deve ser debatida politicamente.

Nenhuma mulher deve ser presa, maltratada ou humilhada por ter feito aborto! Pela não criminalização das mulheres e pela legalização do aborto! Leia o manifesto e assine:
http://goo.gl/TTpR

sábado, 9 de outubro de 2010

Cena da semana - Equilíbrio


Foi andando pelo parque Trianon em São Paulo que, nessa semana fiz essa foto, sem que o casal soubesse do registro. Eu sabia que aquela imagem tinha muito a dizer e que, poderia economizar nas palavras pois, tudo era explícito num simples clique. Fiquei pensando no momento pelo qual experimentamos o mais puro desequilíbrio político, palco de ofensas, jogo sujo ideológico e nenhuma ética. De um lado, o maniqueísmo sórdido que despreza e diminui assuntos de extrema importância política: o aborto, uma questão de saúde pública do feminino. Do outro, a fraqueza para assumir posições anteriormente conquistadas, em prol dos votos que possivelmente levam a vitória nas urnas. O debate atual envolve fé, puritanismo, hipocrisia e nenhuma praticidade espiritual e política. Lembrei a tempo que hoje é aniversário do pacifista John Lennon e fiquei suspeitando que ele provavelmente se aborreceria muito com essa eleição no Brasil. Desconfianças à parte, volto a pensar no equilíbrio, sobre o que seria mais conveniente e útil para o Brasil. Seria produtivo colocar um fim ao estímulo das divergências religiosas, colocar um ponto final nesse clima de divisão do país em dois únicos polos ideológicos. O Brasil não é feito apenas de Dilmas e Serras, não precisamos suportar esses gritos em nossos ouvidos, que negam outras opções. Talvez a chance de mudar alguma coisa, esteja no nosso quintal, na praça do nosso bairro, na escola dos nossos filhos, no investimento que cada um faz no banco, no relacionamento com os funcionários, nas escolhas individuais, na compra do supermercado, no gasto com o cartão de crédito e em muitos outros atos políticos. Hoje eu só consigo ver equilíbrio nessa foto do parque e nas nossas aspirações conjuntas. Assim como o casal oriental dividiu o peso pelo caminho percorrido, vou dividir com o Serra e a Dilma a responsabilidade de trazer qualidade prá minha vida. Deles, não espero muita coisa, seja quem for o próximo presidente ou presidenta.

Equilíbrio: O equilíbrio é uma das principais bases da vida. Tudo na vida necessita de equilíbrio. O equilíbrio representa também a harmonia e a justiça. Repare-se na balança como símbolo da justiça. Tudo está bem quando está equilibrado e tudo está mal quando há desequilíbrio.

No século 4 a.C., o filósofo grego Epicuro já dizia que "ninguém é pouco nem demasiado maduro para conquistar a saúde da alma". Segundo ele, "quem diz que a hora de filosofar ainda não chegou ou já passou assemelha-se ao que diz que ainda não chegou ou já passou a hora de ser feliz".

Foto: Preto e Lilás

Dia Rosa - Mulher Consciente


Um dia por ano. Apenas um diazinho para você pensar no seu bem-estar, na sua saúde, em melhorar a sua qualidade de vida. A partir de hoje, todas as mulheres estão convidadas a escolher um dia por ano para olhar para si mesmas

Muitas são as coisas que deixamos de lado em função da correria das nossas vidas. O trabalho, o marido, os filhos, a família e tantas outras coisas vêm como prioridade e, quando percebemos, o dia passou, a semana passou, o mês ou até o ano, e nada fizemos por nós. Esse já é um hábito arraigado na vida de grande parte das mulheres, mas é hora de acordar e mudar isso de uma vez por todas.

Imagine que um dia você acorda e tira o dia todo para se cuidar. Toma aquele banho agradável, longo (mas não muito), senta calmamente para saborear um delicioso café da manhã, sem pressa, tendo como único compromisso, cuidar de você. Esse será o seu Dia Rosa, o momento ideal para lembrar-se da sua saúde, visitar seu médico e fazer aqueles exames de rotina, incluindo, claro, a mamografia para se prevenir do câncer de mama.

Fundamental e insubstituível, só a mamografia é capaz de detectar tumores ainda em fase inicial, isto é, quando eles são menores de 1 centímetro, pequenos demais para serem percebidos na palpação. "Quanto mais precoce é o diagnóstico, maiores são as possibilidades de cura", explica a mastologista Fabiana Makdissi, do Hospital A.C.Camargo de São Paulo. "O câncer de mama é um tumor extremamente prevalente entre as mulheres", esclarece. "Como é frequente, tem indicação de exames de rastreamento, ou seja, antes dos sintomas, pesquisar se a mulher tem algum indício da doença e, neste painel, o melhor exame que a mulher pode fazer é a mamografia", conclui a mastologista.

Portanto, não deixe para depois. Eleja o seu Dia Rosa e cuide-se. Sua saúde agradece!

Visite, Divulgue:
http://www.mulherconsciente.com.br/Dia-Rosa/dia-rosa.aspx

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

MASP nas ruas de São Paulo
























A idéia de trazer a arte para a população urbana já aconteceu em Londres, por conta da National Gallery que, em 2007 levou muitas das suas reproduções para as ruas inglesas. Agora foi a vez de São Paulo e confesso que fiquei surpresa, quando dei de cara com um quadro pendurado na vidraça do prédio, na esquina da Paulista com a Brigadeiro. Depois encontrei na entrada do metrô, na escadaria da Gazeta e assim por diante. Nem só de vacas pelas ruas paulistas vive o cidadão comum e apressado. Tenho notado as pessoas olharem e mesmo com pressa dão uma aproximadinha prá ver mais de perto os quadros. Eu ainda tenho vontade de fotografar um a um, numa caçada de arte durante o percurso diário. Li que, a reação do público e o resultado do projeto, vai render uma publicação de um catálogo, produzido pela Metalivros. Agora é só aguardar. Por isso adoro essa cidade, repleta de surpresas e cenas inusitadas.

Fotos: Preto e Lilás

segunda-feira, 24 de maio de 2010

A Confissão da Bruxa - Revista Veja


A revista Veja foi longe demais dessa vez. Sua capa sensacionalista mostra a procuradora Vera Lucia de Santana Gomes, presa por ter torturado uma criança de dois anos, que estava em sua guarda. Mediante tamanho abuso, sinto-me feliz por vê-la presa no país da impunidade. Espero que a justiça de fato seja feita. O pouco que vi sobre ela na televisão, me fez concluir que, se trata de uma mulher fria, dissimulada e com sérios transtornos psíquicos, embora eu não seja especialista no assunto. Descobri essa atrocidade da revista no sábado, quando passeava pela Paulista e dei de cara com a capa numa banca qualquer. Só posso dizer que me senti ofendida.

Bruxa - já faz algum tempo que o movimento Neo-Pagão tem trabalhado para desmistificar a imagem da mulher má, com verruga no nariz, corcunda, vestindo trapos e tramando maldades. Esse estereótipo de Disney e cia está mais do que ultrapassado. As crianças não sentem mais medo quando ouvem falar de bruxas, magos e feiticeiras. A mídia impressa já publicou inúmeras matérias sobre a Arte das Bruxas com intensa maestria. Recentemente, as revistas Planeta e Leituras da História, nos presentearam com capas que, tem destaque para a Bruxaria e Magia. São referências sérias sobre religiosidade, mitologia, estilo de vida dos adeptos de uma religião moderna, com base em antigas práticas pagãs. O Halloween, tradicional festa que reúne bruxas e bruxos em todo o mundo, já tem presença marcada no calendário de festividades brasileiras, ou seja, poucos ainda usam o adjetivo BRUXA como um termo pejorativo para ofender, acusar e denegrir a imagem de uma mulher.

Infelizmente a Revista Veja, assim o fez. Considerada a mais lida do país, com caráter de formar opinião, cometeu a indelicadeza de publicar essa capa, ofensiva e de uma ignorância tamanha. Será que nenhum profissional sério da Revista, não é capaz de ter um pouco de discernimento e informação acerca do que é ser Bruxa?

A senhora da capa, é uma criminosa, acusada por torturar criança e está sendo punida por isso. Ela não é bruxa! E não pode ser confudida com Bruxa.


quarta-feira, 28 de abril de 2010

Luta, substantivo feminino

Lançamento do livro “Luta, substantivo feminino” emociona e lota auditório na PUC-SP

Com a presença dos ministros Paulo Vannuchi e Nilcéia Freire, as Secretarias de Direitos Humanos e de Políticas para Mulheres da Presidência da República, em parceria com a Caros Amigos Editora, lançaram, nesta quinta-feira (25), na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), o livro “Luta, substantivo feminino: histórias de mulheres torturadas, desaparecidas e mortas na resistência à ditadura”.

Cerca de 400 pessoas lotaram o auditório da universidade – muitos ficaram em pé, sentados no chão ou do lado de fora. Os 300 exemplares disponíveis para a distribuição se esgotaram rapidamente. As mulheres que contribuíram com seus depoimentos para a composição do livro participaram do lançamento. Elas receberam homenagem especial do ministro Vannuchi, além de terem sido muito aplaudidas pelo público.

“As mulheres sempre tiveram papel muito importante nas lutas travadas no Brasil. O livro mostra isso, elas resistiram à ditadura, na época da invasão da PUC a reitora era uma mulher e resistiu bravamente”, afirmou Vannuchi. Agora ele tem a expectativa de que as mulheres também apóiem a Comissão da Verdade e entrem nessa luta pela disputa da memória. A ministra Nilcéia Freire também enfatizou a importância das mulheres ao longo da história do país.

A professora de Direito da PUC-SP, Flávia Piovesan, destacou em sua intervenção que o Brasil já avançou na reparação dos crimes da ditadura, mas não na preservação da memória e na divulgação da verdade. “O Brasil ainda tem essa dívida com as pessoas que sofreram na ditadura e o livro é uma forma de enfrentar isso”, disse.

Além dos ministros e de Flávia Piovesan, participaram da mesa de debates que se seguiu ao lançamento: o diretor da Faculdade de Direito, Marcelo Figueiredo; a vice-presidente do Comitê da Organização das Nações Unidas para Eliminação da Discriminação contra a Mulher, Silvia Pimentel; e a representante dos familiares de mortos e desaparecidos, Rosalina Santa Cruz.

Também estiveram presentes ao lançamento o presidente da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, Marco Antônio Barbosa, e a socióloga Maria Victória Benevides.

Luta, substantivo feminino - O livro reúne os perfis de 45 mulheres assassinadas e desaparecidas por agentes da ditadura militar no Brasil (1964-1985), cujos casos foram julgados pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos em quinze anos de atividade. A obra ainda traz informações sobre as circunstâncias em que essas mortes e desaparecimentos ocorreram.

Em praticamente todos os casos relatados as vítimas morreram em decorrência das torturas, foram executadas ou passaram a ter seu destino desconhecido por seus familiares e amigos. Para não deixar que tais horrores caiam no esquecimento e contribuir para a elucidação desse terrível episódio de nossa história, o livro “Luta, substantivo feminino” apresenta também depoimentos corajosos de 27 mulheres que sobreviveram às torturas.

O objetivo da publicação é trazer à luz fatos essenciais para se restabelecer a verdade histórica. Na apresentação do livro, o ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, destaca que “a leitura desta publicação jogará novas luzes sobre uma história que o Brasil não deve apagar da memória. (...) como passo necessário para uma reconciliação nacional pautada no respeito a todos os direitos humanos”.

A ministra Nilcéia Freire, da Secretaria das Mulheres, destaca a relevância desta publicação para o resgate do papel da mulher em momentos importantes da história brasileira, como na luta pelo restabelecimento da democracia no país. “Se nos impuséssemos o exercício de mapear os dez nomes que mais aparecem nos livros de história, dificilmente aparecerá um de mulher entre eles. O relato oficial sobre a nossa trajetória como nação é estritamente masculino; nos retratos Justificaroficiais, nossos heróis têm, quase sempre, barba e bigode”.

Direito à Verdade e à Memória - O livro “Luta, substantivo feminino” é a terceira publicação originada a partir do livro-relatório Direito à Memória e à Verdade, lançado pela SEDH em agosto de 2007, com a presença do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O livro-relatório apresentou todos os casos julgados pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, desde que foi criada pela Lei 9.140, de 1995, para reconhecer a responsabilidade do Estado brasileiro na morte ou desaparecimento de pessoas durante o regime militar.

Como desdobramento do livro-relatório, a SEDH lançou, em junho de 2009, uma publicação com a história de quarenta afrodescendentes que morreram na luta contra a ditadura. O projeto foi realizado em parceria com a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial.

Em dezembro de 2009, foi a vez do livro Histórias de meninas e meninos marcados pela ditadura, que focaliza violações de direitos humanos cometidas pelo aparelho da repressão política contra crianças, bem como casos de adolescentes torturados e mortos nos mesmos porões.

fonte: SEDH